terça-feira, 26 de maio de 2009

Quisera eu...

Quisera eu compreender as amálgamas infindáveis lições desta vida
Que percorrem por entre os pedaços vazios do meu Ser em evolução.
Quisera eu que cada horizonte fechado fosse celeste abóbada de mim
E fazer de cada crepúsculo irmão das auroras infindas,
onde sol e luz se beijam no trespassar mútuo das luzes omnipresentes.

Quisera eu sorrir em todas as lágrimas que se perdem, sem cessar
Pelos ensinamentos escritos e naqueles que ficam por escrever
Em todas as linhas semibreves do sentir que se derrama passo a passo
À procura de uma dádiva incessante da tonalidade desse Ser, que é em mim
Ao qual me abraço na ousadia do silêncio, pelas ondas inimagináveis do Acreditar…

Ah! Quisera eu pensar-me Flor de Liz, neste paraíso terrestre onde apenas há a sombra
A sombra de mim, que foge apressadamente, cavalgando neste e em outro lugar, sem fim.
Quisera eu fechar um livro sem páginas, de uma vida que nem sequer tenho coragem de ler,
Com hieróglifos mágicos, num tom dourado que aparece e desaparece com o olhar
E se entrelaçam com outros inventados para que eu continue ainda a querer…

Quisera eu que o sonho fosse expressão da vida e que o sentir fosse o rio que corre
Sem margens nas mãos de uma criança que aprende, pela primeira vez, a caminhar,,,
Quisera eu no labirinto fechado, da vida e da morte, um dia percorrer
E conhecer todas as dimensões poéticas e patéticas do meu Ser
Que escarnece em vivências longínquas, pedaços de esperanças ao amanhecer…

A entrada por onde se sai do labirinto antiquíssimo penetra numa gruta convexa por dentro -
ali onde os sentidos se não limitam, ao tropeço no real, arlequim de todas esquinas mais ínvias.
Onde jazem os segredos que perpassam cristalinos em água transbordante, no sombrio da noite.
E paro! Apenas escuto a escravidão dos sentires amordaçados em ecos de vento,
Que ecoam extenuantes nas lápides de uma boca fechada, rigorosamente silenciada
De tudo pensar saber e do nada saber dizer…

Cansados de eternidades tardias, eis que chegam agora os guardiães de todo o Ser,
com as cores intactas da vida, penduradas em seu olhar de maré segura.
Conduzem elas, pelo sopro que exalam na melodia do fogo
Em que os múltiplos tempos entretecem o manto aurífero
em que hão-de ser, altar-jardim que ecoa ao rumor das fontes primaciais.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Amo...

Onde estiver meu pensamento
aí estarás tu nesse momento!

Amo os teus lábios em curva de esperança
teu olhar em frente no mundo, sem desconfiança.
Amo os teus olhos ardentes, tocando-me e afagando-me por dentro,
a fazer-me sonhar sonhos loucos, das noites sem dormir,
das janelas por abrir,
dos mundos por descobrir
Luz e Sombra para amar...

Amo os teus imaginados passos, ainda mesmo que dados
quando de mim te afastas, nas ruas que são de todos,
do caminho que é só nosso...
Amo os teus gestos e o teu andar,
amo o teu corpo e o teu amar.
Amo as tuas mãos em ondas suaves
que em ternuras deslizantes, quereria...
nunca conhecer entraves.

Amo os teus braços em desejadas cadeias,
cálidos amplexos que nem quis desfazer
nem quero esquecer...
Amo o teu sorriso e o teu respirar,
o sangue a correr-te nas veias,
o teu coração a pulsar... que é alento
vida! que em ti sinto, que sempre de ti quero receber
e me faz estremecer sem nada querer saber
de moralistas ideias
a que por ti disse não!

Amo a tua voz doce e dura
que sempre quero ouvir e sentir...
num querer diferente de transmitir amor,
obrigando-me a aceitar tudo quanto já sonhei
e impossível acreditei...
Amo o teu rosto moreno, as tuas faces nuas
Amo os teus cabelos que os meus lábios molhados
beijam apaixonados,
que as minhas mãos com as tuas, deixam desalinhados

Amo essa boca querida, os beijos que me deste
e também os que quiseste com calor...
Amo o teu nome e o teu pensamento,
Amo as palavras que dizes e as que calas com desalento
Amo os teus sonhos e os teus desesperos
Amo em silêncio,
tudo aquilo que tu amas
tudo aquilo que tu tocas
o mundo que te rodeia
do qual sempre quero ser... a mais livre prisioneira!

domingo, 8 de março de 2009

Sol de um luar (de Março)

Melodias translúcidas esvoaçam o pensamento de mil cores,
Esvaziando segredos, que se espalham pelo firmamento,
Segredos que vibram em notas na intensa pauta de sabores
Do imenso céu, em ingredientes para o meu alimento!

Ao luar, onde a seiva da terra brota a palavra pelos tambores
O crepúsculo incendeia e em meu corpo sinto o alento,
Alento que anuncia gritando em silêncio o perfume de flores
Aquelas que espalham um sorriso, a todo o momento…

E o calor de Março prepara a Luz para a viagem
Inundando, habilmente, uma cor da coragem
Que salpica, pelo Universo, um sabor a mar…

Abraço-me à vida e à Divina Mãe Terra
Sufocando um passado, passado de guerra
E do qual emerge, subtilmente, o sol de um luar…

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Cristais de um tempo

Em espera, numa longa e árdua caminhada
Por um milagre nas linhas de um amanhecer
Nas pálpebras de lírios, que em boca fechada
Brotassem, complacentes, a Luz Divina do meu Ser!

Abraçando nostalgias de uma alma abandonada
Pelo resgate efémero de uma vida a aprender
Que em longínquos passeios se sentiu desamparada
Na procura de uma côdea de amor para viver!

Oh! Viagem num espaço intemporal
Que transforma os cristais de um tempo real
Em caminhos de Luz, que anunciam libertação!

A harmonia, a paz do Ser está eminente
Nas linhas invisíveis de um momento presente
Onde sublime essência desperta o coração!